Fiesta i danças de ls palos an tierra de Miranda
Documentário realizado por Manuel Gardete e produzido pelo professor António Tiza, da Academia Ibérica da Máscara.
Na Terra de Miranda, a dança dos paus sempre esteve associada às celebrações religiosas: peditórios em benefício dos santos, atuação no decorrer da liturgia da missa festiva, nas procissões e no final dos atos religiosos.
Sendo uma usança milenar, a dança dos paus integrava as celebrações de culto agro-pastoril na Antiguidade. Tendo passado a integrar as celebrações cristãs de festividades marcantes do calendário religioso cristão, poderemos concluir tratar-se de uma dança cultural, sem prejuízo para as demais finalidades que se lhe podem atribuir.
Das festas cristãs integrantes da dança dos paus destacam-se o Corpus Christi, as Festas da Mocidade e as da Santa Bárbara. Sendo esta virgem e mártir a protetora das colheitas contra as tempestades e as trovoadas, a quem o povo mirandês dedica uma profunda devoção, a sua celebração acontece na primavera ou no fim do verão, sendo, portanto, uma festa das colheitas.
Podemos encontrar o protótipo das festas de Santa Bárbara das Terras de Miranda na freguesia de Malhadas, celebrada no fim do verão. Nela intervêm os três grupos de danças dos paus existentes na terra: os pauliteiros, constituídos exclusivamente por rapazes; as pauliteiras, recentemente criadas; e os pauliteiricos, os pequenos que vão sendo iniciados na dança e que garantem a sua continuidade.
Todos os momentos solenes da festa são abrilhantados pela dança dos paus ou, no mínimo, acompanhados pelos bailarinos e pela música ritual da gaita-de-foles, aquela que, a par da flauta pastoril, é admitida na dança.